Amêijoas asiáticas combatem resíduos de azeite

por Paulo Caetano

A produção intensiva de azeite, além de destruir os ecossistemas do sul do País, está a contaminar as linhas de água. Uma equipa da Universidade de Aveiro descobriu que as amêijoas asiáticas podem contribuir para a descontaminação destas águas.

A amêijoa asiática (Corbicula fluminea) é uma espécie invasora, que chegou a Portugal na década de 80 do século XX. É um bivalve apreciado na gastronomia ou como isco na pesca, mas tem o inconveniente de se espalhar com demasiada rapidez. É uma praga que destrói os nossos ecossistemas ribeirinhos e aniquila a concorrência, como o mexilhão de água doce.
Mas esta amêijoa exótica também pode vir a ter a sua utilidade. Joana Pereira e outros colegas investigadores da Universidade de Aveiro descobriram que estes espécimes asiáticos possuem uma qualidade apreciável: conseguem remover metais e compostos orgânicos que contaminam as águas e que resultam, por exemplo, da indústria de produção de azeite.
E esta não é a sua única capacidade. Como são bivalves filtradores, as amêijoas asiáticas também conseguem retirar das águas contaminadas vírus e bactérias com potencial patogénico. Os investigadores estão a estudar a possibilidade de amêijoas asiáticas poderem ser usadas em estações de tratamento de águas residuais, mas também na purificação de piscinas ou praias fluviais. E as vantagens são óbvias: trata-se de uma solução biológica que pode substituir a utilização de químicos e a sua rentabilização pode financiar programas de erradicação de amêijoas asiáticas em ecossistemas ribeirinhos.
Esta descoberta, publicada no Journal of Cleaner Production, é da responsabilidade de Joana Pereira, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e de outros cientistas dos departamentos de Química e de Biologia da Universidade de Aveiro.
 
Para saber mais:
www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0959652619346438
Foto de: Joana Pereira
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